A avalanche de mensagens de ressignificação do que estamos a viver hoje é sem precedentes. Engraçado é sentir mais uma vez que houve uma mudança astronómica e nem demos por isso. Mais caricato é que se falava dessa tal transformação e concordávamos com ela, no entanto quando ela acontece, sentimos que o telhado da casa literalmente caiu sobre nossas cabeças.

Tamanha é a minha ansiedade em despertar todas as manhãs e esperar por mais um dia cheio de revelações.

Tudo que sempre fez sentido para mim foi por terra. O temor que sempre tive de um dia enfrentar a 3ª guerra mundial com armas, fome e miséria, meu temor era ver o mundo totalmente destruído e sem condições de habitabilidade, fruto da nossa falta de amor a natureza e corrida desenfreada por prazeres que até a alguns dias eram imprescindíveis a nossa sobrevivência.

Como pode ser possível em segundos nossas prioridades serem mudadas por coisas outrora tão insignificantes? Como eu, um ser inteligente e superior, a semelhança de Deus e o mais forte da terra ser remetido a uma condição de total enjaulamento?

Sob pena de não existir mais, nos dias posteriores, quando meu ego convencer-me de que sou imortal a uma micro existência que se mostra incapaz de aparecer aos meus olhos? O famoso COVID19.

Como aceitar que meus feitos, sonhos, realizações e conquistas não serem grandes o suficiente para vencer algo invisível?

Como aceitar que o direito a vida, o direito ao ar, que a ninguém pertence, me seja tirado, quando conquistei o mundo e sou superior a todas as criaturas viventes?

Como aceitar que hoje estou enjaulado e os selvagens e os animais dominarem o que levei séculos a conquistar?

Como aceitar que tudo que considero de mais precioso não servirem literalmente para nada, pois o meu ouro, dinheiro e propriedades não compram o ar que em abundância coabita entre nós.

Como posso ter me esquecido de criar um sistema que me permitisse dominar o ar, o oxigénio? Como é possível todo o ouro do mundo não poder comprar o ar que respiro?

São questões que não param de surgir de milhões de cérebros no mundo.

Decidi unicamente usar a Teoria da “Não Resistência” e silenciar-me ainda mais para escutar com precisão tudo que o Universo tem a nos dizer. E sinto dizer que as teorias que apreendi por toda minha vida não valem nada, porque a inteligência do Universo é maior. A Terra não se está a destruir, A Terra está a curar-se, A Terra deu um basta “BASTA” para todos nós. Ela decidiu que não mais vai permitir que a desrespeitemos, não mais a maltratemos, não mais abusemos de sua infinita bondade em dar-nos tudo para vivermos felizes. A Terra decidiu amar-se em primeiro lugar, cuidar-se em primeiro lugar, pois tal é o seu amor pelos seres vivos, que decidiu por amor nós, engaiolar-nos para mostrar o quanto fomos incorrectos por décadas e que a sua destruição significaria a destruição do próprio ser humano. A Terra decidiu por amor aos seres vivos dar-se umas férias de nós e cuidar-se, renovar-se e ensinar-nos o significado de igualdade, amor incondicional, aceitação, empatia, Deus, benevolência, união, oração, devoção. Ensinar-nos que somos todos iguais, que os papéis invertem-se, que os mais fracos podem ser os mais resistentes, que os mais pequenos podem ter maior sabedoria e que quando partimos desse mundo tudo ficará e que não tem valor. Que construir impérios e famílias abastadas e instruídas, não significa que na hora da nossa morte tudo isso estará connosco, pois tal como nascemos acompanhados de nossas mães, podemos morrer completamente sós e tudo que construímos de material perde significado e que a única coisa que podemos realmente deixar cujo valor é inestimável é um “legado”.

Grande é a maestria do Universo e só tenho a agradecer por esta lição de vida.

 As nossas vidas nunca mais serão as mesmas depois dessa tempestade.

 Estejamos atentos e continuemos em silêncio para percebermos as mensagens que nos chegam, pois pela primeira vez não sabemos nem em previsões o que será o dia de amanhã.

 Com amor

 Maria Rokapa