Vivemos uma vida inteira em negação do nosso eu verdadeiro. Queremos ser aceites por todos e queremos mostrar que somos capazes de sermos melhores do que parecemos. Deus nos concedeu o livre arbítrio e colocou em nós a capacidade de sermos e escolhermos o que queremos ser nessa nossa passagem pela terra. Confesso que tenho ainda alguma dificuldade em perceber a natureza humana, comandada pelo emocional, sentimento e pensamento com acções algo repetitivas e padronizadas de igual modo.

a partir do momento em que o seu coração lhe disser que está errado, prepare-se porque é o início do processo de auto conhecimento.

Temos a necessidade de ter em primeira mão a nossa máscara social, a nossa máscara familiar e tudo isso para nos protegermos dos nossos próprios semelhantes?

Fingimos ser o que não somos, mostrar ao mundo o que não sentimos, demonstrar amor sem mesmo amar de verdade? e nos negamos a olhar para nós como as pessoas mais importantes neste mundo? Fingimos sermos os melhores filhos, os melhores pais, os melhores irmãos, os melhores profissionais, os melhores vizinhos, os melhores amigos, os melhores crentes. Temos a capacidade de encarcerar a nossa felicidade em nome de um papel na sociedade. Morremos sem nunca termos vivido plenamente. vivemos como se o direito a vida fosse simplesmente um dado adquirido! Como se fôssemos eternos! Como que se tudo que é visível aos nossos olhos fossem realmente o mais importante na vida. Somos tão difíceis de mudar que a programação gravada em nós desde nossa concepção, vive enraizada até quase ao final de nossas vidas. somos tão repetitivos nos nossos erros que vivemos uma vida inteira tendo os mesmos resultados que nos desagradam. Voltamos numa outra vida cometendo as mesmas atrocidades e nos perguntamos incessantemente onde erramos. Lemos livros fabulosos, descobrimos a origem da pólvora e descoberta da roda e depois de muito pouco tempo a ignorância toma conta de nós, como se nunca tivéssemos lido ou apreendido tais conhecimentos. são preciso longos anos de sofrimento, aprendizado, reaprendizado e episódios traumáticos e perdas irreparáveis para percebermos quão tolos fomos durante tantos anos em nossas vidas, quão orgulhosos fomos durante os melhores momentos de nossas vidas. Os momentos áureos passam num emaranhado de indecisões, que apesar de serem tão úteis para o nosso amadurecimento, levamos tempo demais para percebermos que perdemos os melhores anos de nossa passagem por este mundo com conceitos e pré conceitos que de nada acrescentaram em nossa vivências.

Morremos antes mesmo da chegada do dia de nossa partida para a eternidade, quando nos arrastamos todas as manhãs para cumprir com uma rotina que nos faz tão mal, para fazermos o que não gostamos, para convivermos com pessoas que não suportam a nossa presença, quando vivemos e convivemos com pessoas que nos sugam a energia vital para a nossa alegria. O pior é ouvir os eternos lamentos por mudanças que antes eram tão arcaicas e hoje até a mudança de um chão de madeira por outro de mármore é visto como uma desgraça e porque vamos vivendo amargurados a espera da próxima desgraça. Somos tão vulneráveis que vivemos na expectativa de que tudo que acontece será um aproveitamento para o mal. O que mais admira-me é a capacidade para nos virarmos tão automaticamente para as coisas negativas.

Minhas conclusões, partiram do momento em que despertei e meu coração disse-me que estava errada. Aí tudo desmoronou porque o processo de auto conhecimento nunca mais parou. Aprendo todos os dias o que não fazer e só tenho de vencer os dias em que rejeito todo o conhecimento e toda a sabedoria. Porque aí, sempre que as minhas acções forem as mesmas, os resultados serão os mesmos.

Não há volta, não há ciência, é claro como água que os mesmos pensamentos, emoções e sentimentos, nos levam as mesmas acções e consequentemente ao mesmo resultado, como num ciclo vicioso.

devo sair desse ciclo?

Não sei responder, eu mesma vou repetindo vez ou outra, por não acreditar em quem sou realmente.

Minhas Memórias – Maria Rokapa